sábado, 1 de julho de 2017

Filmes Assistidos de Janeiro a Junho

Como alguns de vocês devem ter percebido, o número de críticas diminuiu bastante nos últimos meses. Isso se deve pelas atividades da faculdade (eu estava no final do semestre, então estou escrevendo este post num respiro de tempo). No entanto, para não deixar o espaço aqui vazio, resolvi fazer algo diferente. Este post reunirá todos os filmes lançados em 2017 no Brasil que pude assistir (de janeiro a junho), com alguns pequenos comentários e a devida nota.

Okja-Dirigido por Boon Joon Ho: 7,5
Novo filme do diretor de "O Hospedeiro" e "Snowpiercer" exibe as mesmas qualidades dos anteriores (o contexto familiar, a fábula com comentário social, o humor estranho), no entanto é o longa mais irregular de sua filmografia. Se em certos momentos, existe uma clara tentativa de fazer uma fantasia com comentários sociais, por outras flerta também com comédia (o personagem de Jake Gylehall é completamente destoante do resto do elenco, afetado e forçando uma fisicalidade que parece emular o Ace Ventura) e com o terror (a cena na qual é mostrada a perspectiva de Okja dentro do armazém). A mescla de gêneros não funcionou muito bem aqui. No entanto, os efeitos especiais, a relação entre a criatura e a menina, a atuação de Paul Dano e Tilda Swinton e a triste mensagem salvam o filme.




Assassin's Creed-Dirigido por Justin Kurzel: 4
Adaptação de game segue a linha das tentativas de se transpor games pro cinema, e falha miseravelmente. Mesmo com um excelente diretor e um elenco carismático, "Assassin's Creed" possui um roteiro medíocre, cenas de ação pouco inspiradas e além de tudo é incrivelmente entediante. No mínimo, imperdoável para um filme baseado num jogo de ação tão bem feito. Para saber mais sobre ele, leia a crítica.




A Lei da Noite- Dirigido por Ben Affleck: 8
Novo filme de Ben Affleck, tem ambição exacerbada. Fazendo um longa que consegue ser uma mescla entre "Scarface" (o de 1933, não o remake de Brian De Palma) e "O Aviador". Contando a história de um homem que por conta de uma motivação pífia, ergue um império criminoso (que se mescla com a própria industrialização e riqueza dos Eua). Uma pena que o protagonista seja tão apático, ainda mais se considerarmos a grandeza e escala do filme.




John Wick: Um Novo Dia Para Matar-  Dirigido por Chad Stahelski: 9
O 1o John Wick foi uma surpresa. Um filme de ação com um protagonista moldado a partir dos papéis anteriores de seu intérprete (Keanu Reeves, que tem toda uma carreira com artes marciais além de "Matrix"), que construía uma trama completamente absurda mas ao mesmo tempo divertidíssima. Mesclando ainda, excelentes sequências de ação e uma mitologia interessante. A continuação não é diferente, eleva tudo que foi apresentado no filme anterior à enésima potência. Quase que um musical de ação, "John Wick: Um Novo Dia Para Matar" só não é mais perfeito por conta do seu cliffhanger. Que torna insuportável a espera para o terceiro filme.


A Múmia- Dirigido por Alex Kurtzman: 5
Quando foi anunciado um novo "A Múmia", poucas pessoas botaram fé. Por mais que fosse estrelado por Tom Cruise (que goste ou não, tem feito blockbusters bons) e Sofia Boutella (uma das surpresas de "Kingsman"), havia um consentimento de que o remake do remake fosse fracassar. Dito e feito, o filme é simplesmente irregular. Além de possuir uma trama cheia de furos, visualmente ser completamente desinteressante (perceba como que todos os mortos-vivos são idênticos), o filme ainda é entediante. Digam o que quiserem de "A Múmia" estrelado por Brendan Fraisier, mas chato não era.



Rei Arthur-Dirigido por Guy Ritchie: 6
Guy Ritchie é um diretor curioso. A proposta dos seus filmes mais recentes demonstram uma clara tentativa de reinventar sua carreira, afinal: o que Sherlock Holmes poderia ter de similar aos gangsteres de "Snatch"? No entanto, seja no filme do detetive ou em "O Agente da U.N.C.L.E", o diretor britânico parece sempre retornar aos bandidos cockneys característicos de seus filmes iniciais. Em "Rei Arthur" isso não é diferente. É mostrado um Arthur malandro, cavaleiros da tábula redonda que utilizam jargões de gangues modernas. O bizarro, é que além dessa visão "moderna", o diretor ainda incluiu: batalhas a lá "Senhor dos Anéis" (lembra dos Olifantes?), criaturas que parecem ter saído da ilha de "King Kong", sequências em slow motion que parecem saídas de um clipe de banda de metal de segunda. Ou seja, uma grande salada que não faz o menor sentido. Existem casos que imperdoavelmente alguns filmes são fracassos de bilheteria. Assistindo a "Rei Arthur", dá pra entender perfeitamente o motivo.


Silêncio- Dirigido por Martin Scorsese: 10
Um tema recorrente na filmografia de Martin Scorsese, é o contraste da fé e da violência exercida pela exacerbação desta. Nisso incluem-se tanto os mafiosos de "Os Bons Companheiros" e "Cassino" com seus códigos de honra, o corretor de "O Lobo de Wall Street" e o dinheiro e até mesmo Jesus e o seu medo de morrer na sua missão de salvar a humanidade em "A Última Tentação de Cristo". O último filme do italo-americano, "Silêncio", não é diferente. Mostrando a missão de dois padres jesuítas (Andrew Garfield e Adam Driver), em ir ao Japão resgatar um antigo mentor (Liam Neeson), que parece ter sido convertido ao budismo e renunciado a fé cristã. Além dos paralelos claros com "Apocalypse Now" (a viagem ao inferno ao tentar procurar um antigo mentor), o filme estabelece uma discussão muito interessante: o que define a fé, a sua manifestação dela ou a sua mera crença íntima? A resposta, encontra-se no título. Que também define à resposta de Deus diante toda a violência e injustiça presentes no mundo.



Internet O Filme- Dirigido por Fillipo Capuzzi Lapietra: 1
Eu não sei porque vi este filme, estava ali na Netflix e pensei que talvez eu estivesse sendo preconceituoso. Aí resolvi conferir. Eu devia ter me mantido nos meus preceitos anteriores: "Internet O Filme" é ofensivo (um dos segmentos do filme, mostra uma competição: quem pegar a menina gorda e negra, leva o prêmio), estúpido (piada com pum, piada com pinto) e sem graça. Se por um lado, uma merda de filme, por outro um retrato bastante coerente do que é essa idolatria por Youtubers.



Fragmentado- Dirigido por M. Night Shyamalan: 8
Após um retorno ao caminho da luz com o divertido "A Visita", Shyamalan retoma temas recorrentes de sua filmografia (natureza humana/natureza animal, fé tornar certos eventos extraordinários) e faz suspense interessante. Apesar de possuir algumas falhas bem gritantes (como a pior psicóloga do mundo), o elenco e os contornos inesperados que a história traça fazem valer a pena a experiência. Para saber mais, leia a crítica.



The Void-Dirigido por Steven Kostanski e Jeremy Gillespie: 8
Uma das coisas que mais reclamo nos filmes de terror atuais, não é a falta de criatividade. Mas a tendência de fazer todo sangue e design de criaturas por meio de computação gráfica. Enquanto que nos anos 70/80, tudo era feito artesanalmente, gerando muito mais impacto no espectador. Os diretores de "The Void" perceberam isso, e criaram um filme com inspiração clara em Lovecraft. Assim, litros e litros de sangue falso são derramados, criaturas horrendas com tentáculos surgem (e todas feitas com próteses, animatrônicos), tudo que marcou o auge do cinema de horror está presente. Uma pena que faltou apresentar um pouco mais da mitologia ao culto dos antagonistas, mas como uma boa história de Lovecraft, talvez seja melhor deixar o mistério.



La La Land- Dirigido por Damian Chazelle: 7
O musical que quase ganhou o Oscar de melhor filme não é nada demais. É bonitinho, tem um elenco carismático e competente, possui um diretor bom. Mas tem uma história escassamente simples, não possui tantas músicas memoráveis (você consegue se lembrar de alguma além de "City of Stars"?), tem números musicais pouco elaborados. Acho curioso como que musicais recentes como "Sweeney Todd", "Os Produtores", "Across Universe" são muito melhores e não receberam essa aclamação. Quer saber o que mais acho do filme? Leia a minha crítica.



Justice League Dark- Dirigido por Jay Oliva: 7,5
Se no universo cinematográfico live action a Dc divide opiniões, no universo de animação ela é amada por todos. Animações como "O Cavaleiro das Trevas", "A Morte do Superman", "Mulher Maravilha" são excelentes. Portanto, as expectativas pras novas animações são sempre altas. No caso de "Justice League Dark", a animação é boa. Mas aposta em alguns clichês (especialmente no seu "Plot Twist"), que fazem refletir se a mão de um roteirista mais experiente não teria tornado o filme inesquecível. Além disso, desperdiçar um personagem excelente como Monstro do Pântano é simplesmente imperdoável.



T2- Trainspotting- 10
Eu assisti "Trainspotting" quando tinha 13 anos. Ainda estava na escola, não tinha a menor ideia do que faria na minha vida. Assisti a continuação, "T2 Trainspotting" com 21 anos, na metade da faculdade. É impressionante como que esta sequência apesar de ser tão engraçada quanto a original, é madura o suficiente para analisar os personagens de uma maneira mais realista. Mostrando como que as escolhas feitas no passado tiveram efeitos decisivos para a vida de cada um deles, e como que as coisas que repudiavam no passado (estabilidade financeira, uma família), agora se tornam ambições que nunca alcançarão (representada muito bem, na cena inicial: na qual Renton corre numa esteira. Um objeto no qual você pode correr o quanto quiser, mas nunca chegará a destino nenhum). Capaz de fazer rir e chorar em proporções iguais, "T2-Trainspotting" é tão relevante quanto seu antecessor. Dizer isso sobre uma continuação, ainda de um dos filmes mais relevantes dos anos 90, é algo a se considerar.



Lego Batman- Dirigido por Chris Mckay: 8
O mais novo filme da franquia Lego, reconhece Batman como um fenômeno da cultura pop. Assim, faz referência e tira sarro de todo merchandising, filmes, quadrinhos que o personagem teve nos seus quase 80 anos de história. Além da sátira hilária (a senha do batcomputador: "Iron Man sucks"), o filme ainda é um belo presente aos fãs do personagem. Visto que são poucos os filmes dele que são dignos de nota. Para saber mais o que achei, leia a crítica.



Manchester à Beira Mar-Dirigido por Kenneth Lonergan: 9
Drama indicado ao Oscar reflete sobre a natureza do luto, e a ação mais difícil de todas: o se perdoar. Investindo em um elenco excelente (Michelle Williams, Matthew Broderick, Kyle Chandler e o grande destaque e protagonista, Casey Affleck), um roteiro doloroso e triste e numa reflexão que pode não ser pra todos. Mas que é essencial.




Ghost in the Shell- Dirigido por Rupert Sanders: 8
Recebido com frieza por crítica e público, "Ghost in the Shell" foi uma adaptação que gostei muito. Além de respeitar o mangá e animação originais, o filme faz inserções bastante coerentes ao cânone da história. Seja para o passado da Major (Scarlett Johansson), quanto para o Section 9. Fora o espetacular visual que possui cgi, mas que também possui muita coisa criada artesanalmente pela Weta (as gueixas aranhas, por exemplo). Honestamente, acho que a rechaça foi injusta. Daqui a alguns anos, creio que este filme será visto com outros olhos. Para ler mais sobre, leia a crítica.




Life- Dirigido por Daniel Espinosa: 7,5
A proposta de "Life" foi criar um sci-fi simples. E tudo bem, o fizeram. É um bom filme, com um ótimo elenco (Jake Gyllehall, Rebecca Fergunsson, Ryan Reynolds, Aryion Bakare) e com efeitos especiais econômicos mas decentes. No entanto, não há nada original no filme. Da sequência inicial na qual é mostrada a nave num longo travelling (tirado de "Gravidade"), até o ataque do alienígena ("The Thing" ou qualquer filme da série "Alien") tudo é retirado de outro filme. O que tudo bem, nada é original de fato no cinema. Mas um respingo qualquer de criatividade seria bacana.




Kong: Skull Island- Dirigido por Jordan-Vogt Roberts: 7,5
Quarta versão de King Kong no cinema resolve concentrar-se na terra do gorila gigante. Assim, têm-se um contexto de Guerra do Vietnã (com toda trilha sonora que tem direito: Creedence Clearwater, Stones), influências de quadrinhos, influências de jogos e voilà, temos um novo filme "original". Agora sendo bem honesto, apesar de possuir sequências de fato impressionantes (o 1o ataque de Kong), o filme é bem econômico. Os personagens se dividem em arquétipos (militar que quer poder vivenciar uma nova guerra pessoal, fotógrafa pacifista, protagonista que é bom em tudo mas não quer assumir compromisso, maluco que acredita no culto ao macaco e servirá pra explicar tudo), o design das criaturas não é tão detalhista assim (percebam que todos os crawlers são iguais, até o maior de todos) e o final do filme soa um tanto apressado. É um bom filme? É, cumpre bem seu papel. Mas poderia ser épico.






Guardiões da Galáxia Volume 2- Dirigido por James Gunn: 8
O mais novo capítulo dos Guardiões da Galáxia é tão engraçado e visualmente interessante quanto seu antecessor, ainda conseguindo (pasmem) adicionar camadas de seriedade aos personagens. Todos eles (sem exceções) possuem um grau a mais de profundidade, o que é muito bem vindo. O problema é que parece que o roteiro de James Gunn não quer realmente explorar essas questões, perceba como que após uma cena na qual Gamorra (Zoe Zaldana) e Nebula (Karen Gillian) tem um momento emocionante há um corte imediato para Rocket (Bradley Cooper) fazendo uma piada com seu traseiro. Não sei até que ponto foi interferência da Marvel em não deixar as coisas sérias demais, no entanto acredito que os filmes já estejam tão saturados com as piadinhas, que mesmo uma mudança breve como a vista em "Guardiões 2" seria muito bem vinda.



Alien Covenant- Dirigido por Ridley Scott: 8
Eu não consigo gostar de "Prometheus". Por mais que tenha um visual impecável e uma atuação incrível de Michael Fassbender, o filme ainda possui um dos roteiros mais recheados de diálogos estúpidos que já vi (além de não entregar nada digno da série "Alien"). Fico muito feliz em dizer, que "Alien Covenant"era tudo que eu queria ter visto em "Prometheus". Além de ser um roteiro muito melhor escrito, ainda responde todas as questões que o filme anterior deixou em aberto, possui cenas de matança com o Alien que são sensacionais e ainda tem Michael Fassbender retornando a um personagem impecável. Tendo como único defeito grave a falta de profundidade da tripulação da nave, "Alien Covenant" é um belo retorno da série ao que tornou-a memorável.




A Bela e a Fera- Dirigido por Bill Condon: 5
A Disney tem investido em versões live action de suas animações clássicas, assim foram lançados filmes como: "Malévola", "Cinderela" e o melhor de todos, "Mogli". Quando foi anunciado o remake de "A Bela e a Fera", confesso que fiquei feliz, era uma das animações que mais assisti quando criança e o diretor Bill Condon (apesar de ter feito os últimos dois "Crepúsculo") havia dirigido ótimos filmes como "Deuses e Monstros". Infelizmente, seu "Bela e a Fera" não é 10% do filme original. Limitando-se a simplesmente reproduzir (e de maneira preguiçosa) o que já havia sido criado na animação (compare com "Mogli", que adiciona várias novas camadas e cenas, criando realmente uma nova história). Além disso, o cgi muitas das vezes falha miseravelmente (alguém realmente teria medo da Fera? Alguém achou os objetos memoráveis ou visualmente interessantes?), nenhuma das cenas clássicas tem o impacto da cena original. Um filme deveria ter mérito maior para existir além da nostalgia, coisa que esse "Bela e a Fera" não possui.



Logan- Dirigido por James Mangold: 9
Último filme de Hugh Jackman como Wolverine é tudo que os fãs sempre quiseram ver num filme do personagem: violento, sujo e pesado. Tratando Wolverine como um sobrevivente e não como um herói, "Logan" tem uma abordagem muito mais realista do personagem. Definindo que não importa se a pessoa é boa ou não, matar é um ato abominável, que mesmo grandes mentes podem sucumbir (como é o caso de Xavier, que possui uma doença degenerativa como Alzheimer) e que nunca se deve abandonar a esperança (simbolizada por Laura). Se quiser ler mais sobre o que achei de "Logan", leia minha crítica.



Mulher Maravilha- Dirigido por Patty Jenkins: 8,5
Só pelo fato de "Mulher Maravilha" ser o 1o grande filme de super heroína já feito,  já seria revolucionário no cinema. Mas também é um blockbuster leve, divertido (com piadas, mas que não surgem a cada dois minutos, ouviu Marvel?), recheado de cenas de ação empolgantes e ainda traz à tona diversas questões interessantes (a natureza da guerra, o machismo, a desigualdade de gênero). Falo mais sobre ele na minha crítica, que você pode ler clicando aqui.